Blah - Blah com Alaíde Martins

12:23

Já faz tanto tempo que não posto um Blah-Blah  que fiz questão de que esse fosse um que abalasse o Brasil inteiro! A entrevistada é a Alaíde Martins, uma mulher bem peculiar, de personalidade embriagante e que não tem o menor apego por cabelo. Tanto que sua transição foi de aproximadamente 6 meses. Outra coisa, é difícil conseguir acompanhar as mudanças de visual capilar! Desde que a adicionei, houve 3 cortes, umas tinturas e chora, em todas as fases ela ficou linda. Vem conhecer a história dessa pessoa que nasceu para viver de moda.



1.Conte um pouco sobre você e como é a aceitação onde mora.
Meu nome é Alaíde,moro em Belo Horizonte, tenho 24 anos e sou formada em Design de moda. A aceitação do meu cabelo por aqui é ótima,recebo elogios de amigos, família e até de gente desconhecida, mas ainda sim, existe um certo grupo de pessoas preconceituosas e que veem o cabelo afro como algo "diferente" só que no pior sentindo. Eu decidi me aceitar a muito tempo, acredito que ainda na adolescência porém, fui repreendida. Um dia fui a aula no ginásio com o meu cabelo texturizado  e escutei coisas péssimas, depois disso como todas as minhas amigas tinham cabelo relaxado e viviam de escova e pela pressão da minha mãe eu também resolvi aderir. Fui até o salão fiz o tal relaxamento tinha uns 15 anos eu acho, e depois para o alisamento, e enfim para a progressiva.Eu gostava de mudar, tive até franja, mas vi que tudo o que eu fazia não conseguia transmitir a minha personalidade, e como eu desejava ser vista. Bom, o tempo passou meu cabelo caiu algumas partes e eu precisei cortar, além de relaxar e alisar gostava de tingir os cabelos e um dia isso causou um desastre! Uma parte caiu. Fui tratando e nutrindo e neste mesmo tempo cheguei a faculdade, vi muitas pessoas iguais, com pouca ou nenhuma personalidade, apenas seguindo os padrões e eu pensei "estou fazendo moda se eu não sou capaz de transmitir minha personalidade com o meu estilo, então dificilmente alguém irá acreditar no meu trabalho" decidi então deixar o meu cabelo ao natural mas ainda tinha química. 

2. Há quanto tempo seu cabelo é natural?
Esse processo de transição se deu em 2011, mas precisamente no segundo semestre. Dei um basta nos processos químicos e comprei um babyliss, comecei a tentar deixar ele natural mas como ficava sem forma eu dava um "jeitinho" com o babyliss e assim seguiu por uns seis meses, com ele na altura do ombro, buscava informações na internet sobre o cabelo afro e me deparei com a  Taren Guy, que tem um cabelo maravilhoso além de linda e me serviu de inspiração para cortar o cabelo e acelerar esse processo de transição. Decidi cortar, mas não cortei o cabelo por igual. Na época eu estava a-p-a-i-x-o-n-a-d-a pelo corte do cabelo da Rihanna (risos). Era um franjão, com a parte da nuca bem rente e bem curto na lateral. Fui lá e fiz, fiquei meio em choque na hora que cortei, meu cunhado falou grandes asneiras, mas eu gostei e gosto muito de mudanças, então superei bem rápido. Era muito prático, eu lavava e deixava secar.



3. O que te motivou a parar de alisar os cabelos? Como foi essa jornada? Quais estratégias ou penteados te ajudaram durante a transição?
A minha maior motivação foi me ver livre da química e aceitar que o meu cabelo era cacheado e também poderia ser bonito. Odiava ter que ir no salão ficar fazendo relaxamento, escovando,era uma rotina que eu não queria pra mim, achava cansativo e desnecessário. A entrada na faculdade também me deu um enorme impulso nessa ideia como já falei, notei que eu precisava me destacar e afirmar a minha personalidade. Foi um momento de me descobrir, testar receitas caseiras com os vídeos que eu encontrava no Youtube como os da Rayza Nicácio e da Taren Guy, e a cada descoberta me sentia mais motivada e afim dessa beleza real, vi que eu não estava sozinha nessa jornada e que muitas mulheres também estavam nessa busca. Usei lenços, sempre gostei de brincos enormes e isso ajudou muito porque valorizava o corte e dava um destaque bonito para o meu rosto. Usei por algumas vezes turbante nessa época e também me ajudou muito, acho um acessório de muita personalidade e que agrega bastante na produção.   
                                
4. Como foi a aceitação de seus amigos e família?
Os meus amigos adoram, sempre me deram muita força pra essa mudança. Minha família se divide um pouco ainda, às vezes fica aquele certo ar de preconceito, mas é algo super normal e ao mesmo tempo triste, porém aprendi a lidar. É um outro tempo, mas ainda existe pessoas não só na minha família, mas em outros cantos que  estão muito presas a  conceitos de o que é belo é o cabelo liso, sem volume, tornando isso um padrão. Mas o meu pai tinha um cabelo black power na sua adolescência e acredito que meio inconsciente ele foi a minha maior referência, ainda que hoje o seu estilo seja completamente diferente. Minha irmã mais velha também decidiu recentemente fazer o "big chop" fico feliz por essa decisão mas ainda vejo que é um processo demorado e ela ainda se encontra com preconceitos que ela não assume ter...


5. Como você cuida dos seus cabelos atualmente?
Com todo o processo químico que o meu cabelo sofreu ele acabou se afastando um pouco do que ele era quando eu não relaxava, e uma dessas mudanças foi que o couro capilar ficou um pouco oleoso, não tenho certeza se foi exatamente a progressiva mais acredito que sim, por se tratar de um processo muito forte. Hoje em dia lavo de duas a três vezes por semana, aprendi a fazer umectação com azeite, óleo de rícino e fez uma diferença enorme faço sempre no dia anterior da lavagem e durmo com ele. Hidrato pelo menos uma vez por semana, e tenho usado o creme da  Elseve para cabelos cacheados que possui colágeno, mas não sou apegada a marcas gosto de sempre testar principalmente os mais baratos, a diferença é que tenho ficado mais  atenta na composição dos produtos e estou tentando evitar os que possuem petrolato e silicone. Para finalização amo o efeito do gel de linhaça junto com a babosa, da muito brilho pro cabelo e tenho usado o Yamasterol e recomendo demais.
6. Como você descreve a textura do seu cabelo?
Acredito que está entre o 3C e 4A, tem textura fina e muito volume.

7. Você acredita que o cabelo afro diz algo a respeito de sua identidade? 
Ele diz tudo, condiz com a minha personalidade e mostra o meu amor pelas
minhas raízes negras.

8. Alguma dica ou mensagem para nossos leitores? 
Hoje em dia é muito fácil buscar referências de mulheres lindas que tem cabelo afro e acho que isso serve de inspiração para que outras mulheres também busquem se aceitar como são. É um processo que no inicio pode ser um pouco complicado, pois o cabelo fica sem formato, mas existe uma infinidade de produtos, blogs e vídeos, então busquem essa informação porque o final é recompensador. Hoje me sinto extremamente feliz com o que o meu cabelo é. Isso reflete também na minha auto estima.
Atualmente com um corte mais curto

O penúltimo estilo

Divando de turbante

Loira <3
Inspiradas a fazerem mudanças? Eu sim!!! Em breve conto para vocês a minha.
Beijos,

Polly


Now Playing: Marvin Gaye - Ain't no mountain high enough

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2 comentários

  1. Que linda moça e que cabelo maravilhoso!
    Taren Guy também foi a primeira crespa que eu acompanhei online! Logo depois, passei a procurar por cacheadas nacionais e encontrei você, Polly! Não fosse isso, eu nunca teria entrado em transição!

    Beijão, sucesso pra você e sucesso pra essas meninas lindas que você mostra pra gente :)

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    Respostas
    1. Ai meu Coração numgueeeenta! Como está indo a transição???
      Beijos!

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