Blah-Blah com Juliana Xavier - Cabelo tipo 3B/3C

15:15

1.Conte um pouco sobre você e como é a aceitação onde mora.
Tenho 27 anos e faz pouco tempo que descobri o que é se amar de verdade e ter identidade. Pode parecer bobagem, mas, demorei cerca de 23 anos pare descobrir meu potencial e o quanto meu cabelo natural me favorece completamente. No meu sangue tem uma mistura de etnias, meu pai é negro, traços fortes, cabelo afro, pele escura. Minha mãe é o que muitos chamam de "parda", pele mais clara, descende dos índios, então puxou um cabelo bem liso e escuro com cachos grandes apenas nas pontas (cachos que por sinal ela semanalmente detona com a chapinha). Aceitar o meu cabelo natural sempre foi uma luta, e não estou falando sobre assumir para os outros, mas assumir para mim mesma. Na adolescência fui a típica menina magricela, cabelos cheios e volumosos com muita ondulação, detestava o meu cabelo, queria ter o cabelo liso como das mulheres da minha família. Usava o cabelo sempre preso e empastado de creme e quando pude passei a alisar, dezesseis anos primeira química definitiva. Paguei caro por essa atitude, fragilizei demais meu cabelo, depois de uns anos ele quebrou, fiquei igual ao cebolinha. Pensa que essa quebra me desestimulou quanto aos alisamentos? De forma alguma, por um período eu só escovava, logo me vi aplicando selagem no cabelo. O pior de tudo é que fiz tudo isso, mas nunca me senti verdadeiramente bonita. Não me achava uma pessoa atraente. Como disse foram 23 anos sem saber como destacar minhas raízes da melhor maneira que eu poderia e da maneira mais simples, apenas sendo natural. Hoje com 27 anos me acho linda, não me importo se minha família não concorda com meu cabelo cheio de cachos, ou se eu fugi dos padrões de beleza. Sempre digo para meus amigos íntimos, estou me sentindo bonita e sensual (risos). Esse sentimento não é decorrente apenas da mudança de cabelo, mas é uma mudança de consciência. Me sinto bonita porque eu me valorizo, porque eu assumo o que sou. Hoje vejo que é lindo ser diferente. Quebrar os padrões proporciona poder, força, GARRA. 

2. Há quanto tempo seu cabelo é natural?

Tenho o cabelo natural há pouco tempo, decidi cortar toda a química do cabelo em 2011, fiquei com o cabelo curtinho. Eu tenho um rosto mais redondinho com queixo fino, mas na época que fiquei com o cabelo natural, estava bastante acima do peso, ficar com o cabelo curto me afetou de muitas maneiras, achava que ficava com cara de lua cheia. Mas, no fim valeu muito a pena "tosar" o cabelo. Fiquei com o cabelo bonito, cachos mais marcados e por achar meu cabelo bonito quis também um corpo que falasse pelo cabelo, passei a cuidar melhor da minha alimentação, comecei a praticar atividades físicas, tenho conseguido perder peso e me sinto mais leve, tenho mais disposição e olho para o cabelo e penso: é você iniciou uma sequência de mudanças positivas na minha vida, mudou minha autoestima.
Atualmente

Antes, na época em que fazia selagem
3. O que te motivou a parar de alisar os cabelos? Como foi essa jornada? Quais estratégias ou penteados te ajudaram durante a transição?
Eu tive uma grande incentivadora, acho que você conhece essa minha amiga. Como é mesmo o nome dela? Ah tá, Polliany Rodrigues (risos love you). Lembro como se fosse hoje a primeira vez que você me indicou um difusor, tentei usar sozinha, mas ficou horrível, o meu cabelo virou uma farofa e daí fomos para um churrasco e você veio aqui em casa e arrumou meu cabelo com difusor, eu me senti legal com o cabelo daquele jeito. Depois desse primeiro passo, eu resolvi parar de alisar e o difusor, creme Amplifier da TIGI Catwalk e de Mandioca da Haskell foram os meus aliados. Tentar ter um cabelo com cachos ainda com química nas pontas era um sofrimento, não foi fácil. Pesquisei muitos vídeos na internet, me olhei no espelho muitas vezes e pensei - vamos lá Juliana, dificuldade é ver o cabelo quebrar e ter que fugir de chuva quando está de escovinha -. No fim, quando decidi cortar o cabelo, conheci uma nova mulher, uma nova estrutura capilar, o mais engraçado é que vi um cabelo que não acreditava mesmo que tinha, nunca pensei que por trás daquelas frustrantes ondas da minha adolescência eu poderia ter com facilidade cachos definidos e com um volume que hoje admiro.

Nós duas em 2010 e 2013
Em transição com a ajuda do difusor
4. Como foi a aceitação de seus amigos e família?
A grande maioria dos meus amigos adorou. Uns poucos estranharam durante o processo de transição. Hoje em dia os elogios são mais freqüentes dos que as críticas. Minha família, bom essa parte é mais complicada, até hoje preferem o meu cabelo liso, segundo eles fico mais sofisticada. Às vezes é difícil não ter apoio, especialmente da minha mãe, já fui muito criticada, hoje em dia ela não fala mais nada, talvez tenha passado a gostar ou apenas acostumou. O importante é que por eu não ter cedido as opiniões negativas as pessoas pararam de me questionar e entenderam que estou melhor assim com  a escolha que fiz.
Na época em que cortou as pontas com química
5. Como você cuida dos seus cabelos atualmente?
Atualmente é mamão com açúcar cuidar do meu cabelo. Hoje em dia não preciso mais usar difusor para definir os cachos, cheguei ao nível que apenas amassando um pouco com as mãos eles já ganham definição. Basicamente não posso desleixar com a hidratação e preciso evitar lavar o cabelo com muita freqüência. Como praticamente todo cabelo cacheado o meu cabelo não tem oleosidade natural, preciso sempre estar atenta a isso, especialmente agora que faço tintura e luzes. Meu esquema de hidratação é bem simples, não gasto muito dinheiro com cremes, opto por produtos mais baratos, a linha mais cara que uso é o TIGI (meu queridinho, não abro mão). Lavo o cabelo três vezes na semana, toda vez que eu lavo eu passo algum creme e deixo agir por 20 minutos, faço um revezamento entre cremes de hidratação, reposição de massa, anti-stress, reparação e brilho. Continuo tendo que usar muito creme sem enxágue no cabelo, só um pouquinho de creme não garante minha definição, a grande diferença é que eu passo bastante creme, enquanto o cabelo está molhado ele fica grudadinho na minha cabeça, quando seca eu separo os cachos com os dedos e ganho volume com cachos bem definidos e macios. Agora estou apostando mais ainda na hidratação, quero o cabelo longo, então irei me manter longe de tesouras por um tempo.
Segue abaixo listinha com meus produtos prediletos:
  • Amplifier da TIGI Catwalk 
  • Sem enxágue de mandioca da Haskell
  • Pró-series sem enxágue e condicionador (já usei repair, hidration e frizz adorei todos)
  • Repositor de massa NOVEX
  • Azeite de oliva NOVEX
  • Intensive deep repair mask
  • Anti-stress Niely Gold
  • Shampoo (pró-series ou seda cachos)
Resultado da hidratação caseira
Faço duas hidratações naturais que adoro, a hidratação com azeite de oliva extra-virgem e com beterraba. Se alguém tiver interesse posso informar depois como faz. São hidratações maravilhosas. Essas faço apenas uma vez por mês.  
6. Como você descreve a textura do seu cabelo?
Adorei essa pergunta, por razões pessoais. Eu não sei definir meu cabelo por tipo, eu sei que eu me considero negra e tenho o cabelo com cachos. Já sofri preconceito de todas as instâncias, mas o que as pessoas costumam sempre me dizer é: “Você não é negra sua pele é clara, seu cabelo não é afro. Você não tem dificuldade em cuidar do seu cabelo, ele é quase liso.” Acho engraçado como as pessoas são. A minha concepção é, se meu pai é negro e minha mãe é descendente de índios, geneticamente é impossível eu não ser negra, obviamente tenho muitas misturas no meu sangue e me orgulho disso, essa mistura faz parte do que eu sou e esse mix está exposto no meu cabelo. Não ter um cabelo 100% afro não diminui o fato de eu ter tido dificuldade de aceitação como todas as outras pessoas. Eu tive os dois extremos na minha vida, um dia quis ter o cabelo liso e depois de assumir o cabelo cacheado sofri com a estrutura porque queria de todas as formas que ele fosse totalmente afro e ficava forçando um volume ou uma definição que nunca terei. Hoje por mais que continue a achar lindo os afros gigantescos, acho mais lindo a mistura que está minha cabeça e aprendi a brincar com o meu cabelo, tem dia que ele fica mega volumoso, outros já fica com o cacho baixinho, mas independente da forma eu o aceitei.
Cabelaço!
7. Você acredita que o cabelo afro diz algo a respeito de sua identidade? Totalmente. Meu cabelo construiu uma nova personalidade. Esqueci a menina sem graça que era e hoje tenho orgulho e mais sabedoria. Depois de assumir o cabelo natural, passei por situações desagradáveis que nunca tinha vivenciado, isso não me diminuiu, fez com que eu ficasse mais forte. Olho para meu pai, vejo as fotos da juventude dele (afro gigante) e fico pensando eu gosto de ter muito desse cara no meu físico, ser negro é tão lindo, nossa cultura é rica, cheia de paixão, destruir uma das nossas características básicas concebida por DEUS com alisante e chapinha chega a ser até estupidez. Tem uma frase da Clarice Lispector que diz “não quero beleza, quero identidade” é engraçado pensar nessa frase, porque assumindo meu cabelo reforcei minha identidade e descobri minha beleza.
Liberdade!
8. Alguma dica ou mensagem para nossos leitores? Acho que eu já falei demais, desculpe leitores tenho esse hábito de ser prolixa. Para resumir, a mensagem principal é SE ACEITE. No geral as pessoas estão sempre buscando mudanças e hoje eu sei que minha maior mudança foi parar de mudar e parar de lutar contra a minha natureza. Brinco com cores, brincarei talvez com cortes no futuro, mas meus cachos permanecerão. Tudo que Deus colocou a mão é lindo, se ele te deu um cabelo afro logo seu cabelo é lindo.



Nas fotos acima a Juh conta que pediu a cabeleireiros diferentes para fazer cachos com babyliss, porém detestou o look fake/boneca/bobs. Hoje quem arrasa nos penteados é ela mesmo com seus grampinhos!

Now Playing: Ana Caña - Super Mulher 

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2 comentários

  1. Oi Juliana, adorei sua entrevista. Ainda não fiz meu BC, mas já me sinto uma nova mulher por ter orgulho do meu cabelo afro e natural do jeito que Deus me presenteou. Como é motivador ver mulheres como você, realizadas e felizes com seus cabelos. Não vejo a hora de me livrar por completo do cabelo alisado. Muitas felicidades pra vcs duas, Polly e Juliana, minhas musas inspiradoras. Bjssss

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    1. Oi querida, muito obrigada pelas suas palavras. Fico feliz em saber que minha história exerce uma influência positiva. A gente vai quebrando barreiras pouco a pouco. Até minha mãe que detestava meu cabelo cacheado agora curte. Esses tempos fiz uma escova para ver o tamanho que o meu cabelo estava e ela olhou e falou: Acho que prefiro você com o cabelo cacheado. rs Isso mostra que ser você mesma sem se preocupar com a opinião alheia seja ela de quem for é sempre melhor e nossos cabelitos estão tendo uma aceitação cada vez melhor e maior. Beijocas e continue firme e forte porque vale muito a pena.

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