Blah - Blah com Rebeca Brito - Cabelo tipo 4A/B

13:27




Há 15 dias recebi uma mensagem através da nossa página lá no Facebook e quando fui abrir, os olhos brilharam! Era uma nega de cabelos ruivos e um sorriso que iluminava até pela tela do laptop furreca. Rebeca Brito estava me convidando a participar de uma matéria em seu blog "Negras no Altar". Agradeci o convite e já aproveitei para ver quem ela era.A menina é camaleoa! Não acreditei quando vi os vários penteados, cores, texturas e looks que a Rebeca já havia usado.
Ao conhecer sua história fiquei pensando: É, quem quer faz acontecer. Não precisa sofrer em transição e nem no dia a dia.

Enfim, chega de papo e inspirem-se!

De Salvador para o mundo, Rebeca.



1. Conte um pouco sobre você e como é a aceitação do cabelo afro onde você mora.
Eu sou Rebeca Brito, tenho 23 anos, moro em Salvador, Bahia e sou formada em Ciências Sociais. Salvador é uma cidade onde a maioria da população é negra, o que não significa que você está livre de ser vítima de preconceito. Eu diria que existe um equilíbrio, 50% de elogios e 50% de preconceitos refletidos em piadinhas e comentários desagradáveis. Aqui as pessoas têm um costume de falar com você e emitir opinião sem mesmo te conhecer, surgem do nada e dizem algo do tipo: “nossa seu cabelo é lindo (já pegando), o que você usa?”; “toda estilosa você com esse black vermelho”; “eu queria que meu fosse igual ao seu, mas não fica”. E do nada também você ouve “vai pentear esse cabelo”; “nossa que cabelo é esse?” (em tom de chacota); “Vixe! Que cabelo de Bombril”; etc.

2. Há quanto tempo seu cabelo é natural?
Há seis anos eu uso meu cabelo natural.

3.O que te motivou a parar de alisar os cabelos? Como foi essa jornada? Quais estratégias ou penteados te ajudaram durante a transição?
Eu resolvi parar de alisar meu cabelo em 2007, por causa de duas tias minhas, que sempre incentivaram a aceitação do cabelo natural. Não foi fácil porque não é apenas um processo estético, mas também psicológico. Você está mudando não apenas sua aparência, mas também revendo seus conceitos, ampliando sua mente para outras possibilidades, e ainda enfrenta as pessoas que querem opinar sobre o que você deve fazer com seu corpo. Então, quando eu resolvi parar de alisar primeiro eu fazia umas trancinhas nagô na frente do cabelo e prendia atrás ou colocava uma touca de crochê (pra mim foi a pior fase da transição, meu cabelo estava uóó), depois eu coloquei tranças com fibra. Todo mundo achava lindo, só elogios. Fiquei mais ou menos um ano com tranças até meu cabelo crescer o suficiente para cortar as pontas alisadas e assumir o black.
Tranças com Fibra facilitaram sua transição

 E viva as tranças que salvam transições!

4.Como foi a aceitação de seus amigos e família?
Minha mãe no começo vivia me perguntando quando eu ia alisar de novo, se eu iria mesmo usar black, que era maluquice. Minha família no geral aceitou bem, mas tem sempre aquelas pessoas chatas para fazerem piadinhas. As pessoas ficavam me perguntando quando eu ia colocar tranças de novo, que eu tinha ficado linda com elas, mas depois de um tempo elas se convenceram que eu não ia mais alisar, nem tão pouco colocar tranças com o objetivo de esconder meu black e se conformaram.
Primeira vez com o cabelo black


5.Como você descreve a textura do seu cabelo? Tem alguma parte que requer cuidados especiais?
Acho que meu cabelo é tipo 4 A ou B, fico sempre na dúvida (risos). Como ele é muito fino eu tenho bastante cuidado principalmente ao desembaraçar para não quebrá-lo. Além disso, como eu voltei a usar coloração eu dobro os cuidados para ele não ficar enfraquecido.

6.Como você cuida dos seus cabelos atualmente?
Eu já tentei seguir um cronograma, mas eu tenho sérias dificuldades em seguir rotina. Então eu procuro hidratar sempre que posso. Tento fazer low poo, não compro produtos com sulfatos, silicones insolúveis e petrolatos e meu cabelo ama!

7.Você acredita que o cabelo afro diz algo a respeito de sua identidade?
Ah sim.  Meu cabelo reflete minha identidade. Acredito que o corpo fala por si, então meu cabelo não é só estética, ele está relacionado à minha identidade, minha afirmação enquanto mulher negra.

 E esse volume nas alturas?

E essas tranças super bem feitas!

8.Alguma dica ou mensagem para nossos leitores?
Para as meninas que estão na transição eu queria dizer que é uma fase difícil, mas quando se tem determinação alcançamos o que queremos. Cuide do seu cabelo com muito amor, se aceite e não queiram agradar todo mundo, pois você vai acabar agradando a todos, menos a você. Em relação a produtos, os óleos naturais me salvam quando meu cabelo está sem vida, dou uma turbinada na hidratação com eles e o resultado é espetacular.

9. E o projeto "Negras no altar", como surgiu e qual é a proposta?
O blog Negras no Altar surgiu em 2012, quando eu ajudei uma amiga a organizar o casamento dela. Eu era madrinha, e como uma boa madrinha estava sempre presente para o que fosse preciso. Buscamos inspirações na internet para noivas negras e ficamos decepcionadas por não achar muita coisa. Como ela estava um pouco insegura eu tive a ideia de criar o blog, pois além de ajudá-la acabaria ajudando outas noivas também. A proposta é elevar a autoestima das noivas negras que procuram por referências que contemplem sua beleza. No blog temos várias dicas para casamento: penteados, maquiagem, decoração, tutoriais, além de casamentos reais (como o seu) para mostrar as mulheres negras que todas elas podem sonhar com esse dia e que é possível realizá-lo desde que elas queiram.

Confiram o blog, negrada! É um casamento mais lindo que outro, uma dica mais valiosa que a outra e quisera eu ter encontrado esse espaço antes do meu casório. Para conferir a minha entrevista concedida a ela clique AQUI para 1a parte e AQUI para 2a parte.


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5 comentários

  1. Minha irmã linda e inspiradora. Que sucesso. Te amo.

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  2. Rebeca amei o tom de vermelho da primeira foto e gostei do jeito q você estilizou. Também sou de Salvador e a Rebeca falou uma verdade, as pessoas aqui (não todas é claro) tem o péssimo hábito de dar opinião sem a pessoa pedir, já vai tocado no seu cabelo sem o consentimento da pessoa, isso dá uma raiva. Da vontade de falar DON'T TOUCH MY HAIR!

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  3. Kkkkkkkkk quando eu li essa parte da entrevista dela fiquei imaginando a cena.
    Graças a Deus aqui em Brasília só os "semi-conhecidos" que tentam tocar. Eu não falo nada porque acho que é curiosidade mesmo rs. O mais "legal" é ouvir: Nossa é
    Macio!
    Como se expectativa fosse tocar em arame????? Rsrs

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    1. Parece q a expectativa é essa msm, aff. E quando não tocam, ficam olhando pra gente e para os nossos cabelos com uma cara de espanto como se tivéssemos acabado de desembarcar da Africa kkkkk

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